Reflexão pessoal – II SEPOLH

Entre os dias 16 e 18 de outubro de 2015, participei do II SEPOLH, em Munique.

Depois desses dias ricos de discussões e relatos de experiências, passei a ver o bilinguismo e o ensino de línguas de herança com um enfoque ainda mais abrangente. Passei a ver as iniciativas em prol do POLH (Português como Língua de Herança), que sejam acadêmicas ou não, ligadas à escola local ou não, como peças fundamentais não apenas para a difusão e manutenção da língua e cultura brasileiras, mas para o desenvolvimento da sociedade multicultural mundial, que vimos surgir e crescer nesses últimos anos.

Vi que o ensino da Língua de Herança vai muito além do ensino da língua, envolve principalmente aspectos culturais e afetivos, tocando no íntimo do desenvolvimento da identidade da criança, passando pela construção de uma consciência intercultural e culminando na sua possível contribuição para a criação de uma sociedade intercultural.

Passei a enxergar a contribuição que o brasileirinho educado na Europa pode trazer para o desenvolvimento da sociedade brasileira, se puder comunicar-se efetivamente através da Língua Portuguesa. Também percebi como ele pode acrescentar às culturas locais se for capaz de decodificar sua cultura de origem, inserí-la no seu contexto cultural local, e contribuir assim para o desenvolvimento de ambas, integrando comunidade brasileira e a comunidade local.

A diáspora brasileira já contribui imensamente para a reflexão sobre a sociedade brasileira. As fronteiras físicas já não existem mais no mundo atual, essas reflexões se fazem todos os dias através das redes. A fronteira real que resta é a língua e principalmente a compreensão efetiva dos aspectos culturais, o que gera cotidianamente, nessas mesmas redes, choques culturais e generalizações preconceituosas. Então, quem melhor do que nossos brasileirinhos, nascidos no exterior ou imigrados ainda pequenos, imergidos totalmente na cultura local e envolvidos pela cultura e língua brasileiras que lhes transmitimos através de nossas iniciativas, para aprofundar de forma ainda mais realista essa reflexão?

Percebi assim o quanto é necessário que o ensino do POLH seja acompanhado pela inserção na cultura local. Pelo bem dos brasileirinhos (integridade física, psicológica e cultural) mas também para a interação construtiva com os locais, que permite a troca efetiva, o repensar mútuo, o desconstruir para reconstruir das duas (ou mais) culturas envolvidas.

Para isso, mais do que a língua em seus aspectos léxicos, ortográficos e fonéticos, o que importa são os aspectos culturais e afetivos ligados a ela, a consciência meta pragmática e a consciência intercultural e interlinguística. O que contribui para a mudança da sociedade não é a conjugação verbal correta ou a pronúncia impecável, mas a compreensão sócio-cultural acertada. Permitir que brasileirinhos compreendam-se a si e ao outro, que construam a ponte entre culturas distintas, no intuito de enriquecê-las: esse é o nosso trabalho, e ele pode contribuir a mudar o mundo.

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