MOTHERESE – Como falamos com os bebês e como estimular a linguagem

Motherese é o nome dado àquele modo de falar com o bebê, usando a voz num tom mais agudo e frases simplificadas. Pesquisas mostram que esse tipo de linguagem é observado em diversas sociedades e culturas. Esse modo de falar com bebês é espontâneo e natural, é nossa intuição primitiva que nos faz falar assim. E isso ocorre para facilitar a comunicação, visto que, as pesquisas comprovam, os bebês têm preferência por essa simplicidade e tom da fala do adulto. (1)

Algumas características do “falar bebê”, ou motherese, vão ao encontro do que o bebê efetivamente precisa na fase inicial de descoberta da língua. Já é sabido que bebês são grandes cientistas, e que eles aprendem a falar analisando o que ouvem. Essa análise é extremamente facilitada pelo fato de que, instintivamente, quando falamos a um bebê (2):

  • falamos olhando nos seus olhos e nos aproximamos – bebês não enxergam muito bem de longe e tem bastante interesse pelos movimentos que fazemos com a boca.
  • exageramos na entonação e na expressão – a primeira coisa que o bebê analisa na nossa fala é a musicalidade, que ele jà detecta desde o ventre e através da qual ele jà é capaz de entender vàrias mensagens.
  • falamos mais devagar e reforçamos as vogais – identificar e reproduzir vogais são, segundo os cientistas, a segunda etapa de especialização dos bebês na aquisição da linguagem.
  • repetimos nossas frases e imitamos o que o bebê produz “em resposta” – essa proto-conversa, que fazemos todos de forma instintiva, é o melhor método de aprendizagem de uma lingua!

Logicamente, esse padrão de comunicação deve mudar com o crescimento da criança. Alguns profissionais alertam, com razão, sobre o uso exagerado pelos pais de palavras no diminutivo ou gramaticalmente erradas ao comunicar com o bebê. “Falar bebê” não significa falar errado, e esse padrão evolui naturalmente com a idade da criança, principalmente à partir do momento em que ela mesma começa a falar. Não há por quê se preocupar.

Falar lentamente, deixar o bebê  observar os movimentos da sua boca ao falar, interagir com o bebê, reagir aos sons e expressões que ele faz, mostrar variedade de expressões faciais e corporais, contar histórias para ele, nomear as ações (suas e dele), nomear objetos que são mostrados ao bebê, permitir que o bebê tenha contato com outras crianças, cantar, brincar com as palavras, utilizando rimas, sinônimos e antônimos… tudo isso faz parte do “falar bebê”, um comportamento instintivo e que será muito útil para o desenvolvimento da fala do seu bebê!

Artigo co-escrito por Anitta Tripoli e Namibia de Ana.
(1) Fernald & Kuhl, 1987
(2) Thierry Nazzi, em sua conferência no DU Bilinguisme chez l’enfant, Paris Descartes, 2016.

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